domingo, 22 de março de 2009

Desejos, vontades e uma coisinha chamada simplicidade.

E então encontro um coração que sangra por não ter ferimentos;

Alguém que chora por ter um amor perfeito;

Que sente falta de quem lhe chame de filho da puta e grite:

- Te odeio, não volte mais aqui!

E aquele coração deseja ser traído;

Ter o orgulho ferido e sentir-se a ovelha negra da família;

E pelo menos uma vez, ser demitido e passar fome;

Pois é assim que se aprende a se foder.

Sofrendo, chorando e tendo pedras no caminho;

Sentir-se pelo menos uma vez sozinho...

Dói, mas é isto que aquele coração deseja...

Uma vida menos perfeita, uma vida mais simples;

Pois a felicidade plena é deprimente e triste.

O bom da vida é passar raiva para comprar o sorvete preferido no super mercado;

E, após toda a dificuldade de filas e transito, se sentir aliviado por ter chegado em casa.

É isto que aquele coração quer...

Sofrimento e felicidades diárias...

Mais cedo ou mais tarde ele passará por isso.

Então que seja gradativo e bem distribuído;

E que a felicidade eterna o espere por mais mil anos;

Afinal, segundo a filosofia daquele coração tosco,

Quem não se fode não goza e, com certeza, morre...

Sem desejos, vontades e uma coisinha chamada simplicidade.

domingo, 8 de março de 2009

Reencontro comigo mesmo

Adeus! É apenas isto que eu tinha a dizer;

Vou me embora! – Pensei, mas não à maneira de Bandeira...

Retirar-me-ia tal qual Augusto.

Talvez veria alguns anjos, demônios ou o vazio;

Veria o nada! Veria o sombrio! Veria o fim!

Três letras, medo, lágrimas e vários “em branco” perto de mim.

Desespero, fios, agulhas, líquidos que curam...

- Tenha calma, ele é forte – disse alguém.

Silêncio, dor, neblina, pessoas que murmuram;

O telefone toca...

Notícias incertas são ditas.

A esperança e o carinho são vitais;

E o órgão de bombear sentimentos, que prometia não funcionar mais...

Arremessou, acelerado, algumas poucas gotas de esperança.

Refez-se a vida!

Adeus enxame de descoloradas roupas! Vou me embora... Porém agora à Bandeira.

Deixo as três letras que denotam intensidade para outros.

Chega de tratamento formal, chega de mal...

E para a próxima vítima desejo boa sorte e afirmo:

- A esperança nem sempre é a última que morre, mas é sempre a primeira que renasce.


Rabiscado por mim em 2008 quando pela primeira e última vez, espero eu, "pisei" na UTI.