E então encontro um coração que sangra por não ter ferimentos;
Alguém que chora por ter um amor perfeito;
Que sente falta de quem lhe chame de filho da puta e grite:
- Te odeio, não volte mais aqui!
E aquele coração deseja ser traído;
Ter o orgulho ferido e sentir-se a ovelha negra da família;
E pelo menos uma vez, ser demitido e passar fome;
Pois é assim que se aprende a se foder.
Sofrendo, chorando e tendo pedras no caminho;
Sentir-se pelo menos uma vez sozinho...
Dói, mas é isto que aquele coração deseja...
Uma vida menos perfeita, uma vida mais simples;
Pois a felicidade plena é deprimente e triste.
O bom da vida é passar raiva para comprar o sorvete preferido no super mercado;
E, após toda a dificuldade de filas e transito, se sentir aliviado por ter chegado em casa.
É isto que aquele coração quer...
Sofrimento e felicidades diárias...
Mais cedo ou mais tarde ele passará por isso.
Então que seja gradativo e bem distribuído;
E que a felicidade eterna o espere por mais mil anos;
Afinal, segundo a filosofia daquele coração tosco,
Quem não se fode não goza e, com certeza, morre...
Sem desejos, vontades e uma coisinha chamada simplicidade.