sábado, 1 de agosto de 2009
Túnel do tempo
Era uma mistura de breu com perfume de sofrimento ou seria escuridão com aroma de nostalgia?
Não lembro bem...
Mas sei que havia um vulto humano sentado naquele túnel.
Inúmeras vezes ele tentava se levantar e fugir, mas algo o impedia.
Visivelmente se notava que aquela sombra tremia muito.
O frio e a acluofobia eram os roteiristas daquele curta-metragem.
A água, que corria pelo chão e molhava aquela figura, parecia tão ou mais congelativa que o medo de não conseguir escapar daquele lugar. Por isso, embora o conceito de tempo e espaço não existir ali. Ao fim de cada síncope, existia uma nova tentativa de se levantar. E a cada tentativa...
Gritos agudos, dotados de raiva e poder suficiente de escurecer ainda mais aquela atmosfera, bailavam e se tornavam homogêneos com o ar:
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Arrrrrrrrrrrrrrggggggggggggg!
Eles se repetiam diversas vezes, mas com a volta do silêncio, ouviram-se barulhos de diversos e minúsculos passos se aproximando. Aquele vulto já estava exausto de gritar para afugentar os ratos. E embora não fosse possível vê-los, certamente eram nojentos. Mas a nova tática era apenas uma. Deixá-los se aproximar para roer a corda que impedia a fuga de se concretizar.
[Talvez continua]
domingo, 22 de março de 2009
Desejos, vontades e uma coisinha chamada simplicidade.
E então encontro um coração que sangra por não ter ferimentos;
Alguém que chora por ter um amor perfeito;
Que sente falta de quem lhe chame de filho da puta e grite:
- Te odeio, não volte mais aqui!
E aquele coração deseja ser traído;
Ter o orgulho ferido e sentir-se a ovelha negra da família;
E pelo menos uma vez, ser demitido e passar fome;
Pois é assim que se aprende a se foder.
Sofrendo, chorando e tendo pedras no caminho;
Sentir-se pelo menos uma vez sozinho...
Dói, mas é isto que aquele coração deseja...
Uma vida menos perfeita, uma vida mais simples;
Pois a felicidade plena é deprimente e triste.
O bom da vida é passar raiva para comprar o sorvete preferido no super mercado;
E, após toda a dificuldade de filas e transito, se sentir aliviado por ter chegado em casa.
É isto que aquele coração quer...
Sofrimento e felicidades diárias...
Mais cedo ou mais tarde ele passará por isso.
Então que seja gradativo e bem distribuído;
E que a felicidade eterna o espere por mais mil anos;
Afinal, segundo a filosofia daquele coração tosco,
Quem não se fode não goza e, com certeza, morre...
Sem desejos, vontades e uma coisinha chamada simplicidade.
domingo, 8 de março de 2009
Reencontro comigo mesmo
Adeus! É apenas isto que eu tinha a dizer;
Vou me embora! – Pensei, mas não à maneira de Bandeira...
Retirar-me-ia tal qual Augusto.
Talvez veria alguns anjos, demônios ou o vazio;
Veria o nada! Veria o sombrio! Veria o fim!
Três letras, medo, lágrimas e vários “em branco” perto de mim.
Desespero, fios, agulhas, líquidos que curam...
- Tenha calma, ele é forte – disse alguém.
Silêncio, dor, neblina, pessoas que murmuram;
O telefone toca...
Notícias incertas são ditas.
A esperança e o carinho são vitais;
E o órgão de bombear sentimentos, que prometia não funcionar mais...
Arremessou, acelerado, algumas poucas gotas de esperança.
Refez-se a vida!
Adeus enxame de descoloradas roupas! Vou me embora... Porém agora à Bandeira.
Deixo as três letras que denotam intensidade para outros.
Chega de tratamento formal, chega de mal...
E para a próxima vítima desejo boa sorte e afirmo:
- A esperança nem sempre é a última que morre, mas é sempre a primeira que renasce.
Rabiscado por mim em 2008 quando pela primeira e última vez, espero eu, "pisei" na UTI.