sábado, 1 de agosto de 2009

Túnel do tempo

No silêncio da minha “mente”, uma cena lentamente se reproduzia.
Era uma mistura de breu com perfume de sofrimento ou seria escuridão com aroma de nostalgia?
Não lembro bem...
Mas sei que havia um vulto humano sentado naquele túnel.

Inúmeras vezes ele tentava se levantar e fugir, mas algo o impedia.
Visivelmente se notava que aquela sombra tremia muito.
O frio e a acluofobia eram os roteiristas daquele curta-metragem.

A água, que corria pelo chão e molhava aquela figura, parecia tão ou mais congelativa que o medo de não conseguir escapar daquele lugar. Por isso, embora o conceito de tempo e espaço não existir ali. Ao fim de cada síncope, existia uma nova tentativa de se levantar. E a cada tentativa...

Gritos agudos, dotados de raiva e poder suficiente de escurecer ainda mais aquela atmosfera, bailavam e se tornavam homogêneos com o ar:

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Arrrrrrrrrrrrrrggggggggggggg!

Eles se repetiam diversas vezes, mas com a volta do silêncio, ouviram-se barulhos de diversos e minúsculos passos se aproximando. Aquele vulto já estava exausto de gritar para afugentar os ratos. E embora não fosse possível vê-los, certamente eram nojentos. Mas a nova tática era apenas uma. Deixá-los se aproximar para roer a corda que impedia a fuga de se concretizar.


[Talvez continua]